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A construção do instrumento de pesquisa e a coleta dos dados

Para conhecer o pensamento dos professores entrevistados sobre a presença de alunos com deficiência na universidade, realizei entrevistas abertas, tendo em mente alguns pontos básicos que me guiavam durante a conversa, mas que tomavam rumos diversos, dependendo das respostas que fosse obtendo.

De início, elaborei uma ampla lista de perguntas sobre tudo o que poderia ser relevante e pertinente ao meu trabalho, anotando o que vinha à mente. Por achar que meu estudo tem afinidade com a luta por justiça social para diversos segmentos da população historicamente impossibilitados de ter acesso a determinados bens sociais, formulei uma série de perguntas relacionadas à inclusão destes grupos na universidade, sobre a igualdade de direitos e ações de discriminação positiva. Seguiam-se perguntas sobre como os professores relacionam os programas de inclusão e a qualidade do ensino superior. Outras perguntas procuravam saber que relações viam entre a organização e práticas pedagógicas em curso na universidade e a permanência e/ou o sucesso acadêmico dos seus alunos. Por fim, havia questões que se referiam especificamente aos alunos com deficiência, sobre possíveis vivências já experimentadas, situações restritivas e soluções para que pudessem concluir o seu curso.

A partir destas questões iniciais, que me ajudaram a configurar o problema da pesquisa, formulei perguntas que poderiam ser feitas aos professores sobre os temas arrolados. Mas logo de início, entendi ser melhor concentrar-me mais na questão dos alunos com deficiência, que era o cerne da pesquisa ou teria que lidar com uma enorme quantidade de dados periféricos ao problema. Percebi que as respostas obtidas sobre os alunos com deficiência já permitiam inferir muitas coisas que seriam explicitadas com as outras perguntas. Assim, as entrevistas ganharam um caráter mais aberto e abordaram preferencialmente os seguintes tópicos:

Conseguir as entrevistas nem sempre foi simples e a receptividade variou da disponibilidade imediata à falta de resposta. De início, procurava me informar nas secretarias das unidades ou departamentos a melhor forma de conseguir contato com os docentes e me indicavam os seus e-mails. Obtive um retorno muito pequeno por este meio; em geral, de professores que já me conheciam de alguma forma. Em uma das unidades de ensino, por exemplo, dos quatro professores a quem enviei mensagem, obtive apenas uma resposta, que dizia que o assunto da minha tese não fazia parte dos seus temas de estudo e não teria como me ajudar. Quando expliquei que meu objetivo não exigia qualquer tipo de experiência prévia dos professores com o tema, a docente comunicou que ia viajar e pediu que a procurasse depois deste período de ausência.

Então adotei como regra procurar os professores pessoalmente e não encontrei mais recusa. A falta de vivência com alunos com deficiência foi uma objeção freqüente à entrevista, mesmo quando os docentes se mostravam dispostos a participar da pesquisa, e alguns se mostravam insatisfeitos quanto à contribuição dada, ao final da entrevista. Eu lhes explicava que suas dúvidas e inseguranças eram um dado importante para o meu trabalho. De fato, estes professores estão presentes neste estudo com contribuições preciosas, em que mesmo sem experiências prévias com a questão da deficiência, podiam revelar muito do cotidiano e da realidade universitária.

As entrevistas foram integralmente registradas em gravador digital de voz e transcritas para tratamento posterior, conservando assim a sua integridade.

À medida que eu as realizava, apresentava aos professores algumas situações e argumentos colhidos em entrevistas anteriores, para confrontar pontos de vista, dando exemplos concretos de acontecimentos ou atitudes referentes à questão em jogo.

Para complementar e cotejar as falas dos professores, lancei mão também de alguns dados secundários, obtidos junto a alunos, funcionários, colegas pesquisadores ou em eventos de que participei, na Unicamp, assim como em fontes documentais que diziam respeito ao tema deste estudo.

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